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Para o Rafael de amanhã

É um sono profundo esse. Que estranho. Não consigo acordar completamente. Aquela eterna preguiça de domingo de manhã, com os olhos quentes, o balanço entre o real e o sonho, o consciente e o inconsciente. Tô acostumando. O vazio do ambiente, sem som, sem cor, sem riso. O “novo normal” deve ser isso. Tudo bem. Eu aceito o que a vida tem para mim. Engraçado como sempre tratei com bom humor todas as desgraças que me ocorreram na vida (e não que eu seja mais ou menos sofredor que ninguém, todos atravessam seus obstáculos), mas eu vejo que esse bom humor me deixou. O meu semblante pesa no espelho, parece que estou olhando para o Mike Tyson balançando os punhos em minha direção. O que eu faço?? Uai, sorri! Vai morrer mesmo! Os óculos me dão um charme. É uma barreira para os mais atentos notarem o que tem atrás. Acho curioso esse temperamento que herdei de família... sorrir da própria desgraça, mesmo sem realmente ver nada de engraçado, é como uma “autoajuda” do subconsciente dizendo que tudo...

Os dois lados do ano da morte

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Há tempos tenho uma coisa em mente que não sai de jeito nenhum. Não sei se por padrão do TDAH, ou um pé no autismo, como diz uma de minhas melhores amigas, mas tenho pensado nisso assim que acordo, durante o dia e quando vou dormir: “No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo. Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam.” (Isaías 6:1-2) Contextualizando o acontecido, o Reino do Sul, Judá, acabara de perder o seu rei Uzias, descendente de Davi e membro cativo da linhagem que culminou em Jesus. Pouco se sabe a respeito dele, existem poucas referências que proporcionem a dimensão de quem foi, mas sabe-se que Uzias reinou em um período de prosperidade do povo de Deus. Assumiu o reinado ainda jovem, aos 17 anos. O texto de 2 Crônicas, capítulo 26, resume o que foi a sua ascensão e queda. Começou fazendo “o que o Senhor aprova, ...

As Duas Luas

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Há uma passagem bíblica que eu gosto muito: "Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então entre as nações se dizia: grandes coisas o Senhor tem feito por eles" (Salmos 126:1-2). É curiosa a forma como o salmista descreve o sentimento do povo de Deus. Quem nunca esteve diante de algo tão feliz, tão pleno, que precisou de um tempo para se recompor de tamanho êxtase? É surreal! Eu me lembro de algumas situações específicas em que parecia que o meu coração saltaria do peito! E olha que eu sou o cara que mantém o pé no chão, por ser pessimista, posturado e, infelizmente, depressivo e um pouco incrédulo. Controverso, não? Falar sobre uma passagem bíblica que gosta e sobre ser incrédulo no mesmo parágrafo? Bem, sobre os meus defeitos, os combato, mas alguns ainda persistem. Ao descer do ônibus hoje, próximo a chegar ao meu destino, algo me chamou a atenção: a Lua. Tão cheia e tão luminosa...

Rimas bobas de Caronte

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Entre passos cambaleantes Ébrio, tonto e distante Em seu sorriso brilhante Acalmo a vista em um instante. Quando abro os olhos Na escuridão me recolho Permaneço em um fôlego Enxugando o choro. De um passado em cores Trago aromas e sabores Em meio aos presentes horrores A paz na guerra em tambores. Estava cantando a esperança Quando me veio a lembrança A solidão me alcança E com as trevas, avança. Vejo o cerco solitário O sorriso contrário Com o titubeio temerário Ouço o som do canário. Por que cantar o amanhã? Eis uma bela manhã! Como uma febre terçã Há o assombroso divã. Lembro-me da janela aberta Sua concentração tão certa De espírito, inquieta A luz invade e me acerta. Morte em vida, talvez Permanecer e não estar com vocês Há tempo para tudo, eu sei Me entenda, eu jazo sempre às 6h Foi um delírio, um oásis Mas com o Criador, fiz as pazes Sob o repúdio me trazes Da dolorosa trilha rumo ao Ades. Do abandono ao que é o que é Nasceu a fuga ébria do que não é o que é Vendo as costas da q...

O Amor Verde

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Era a minha cor preferida, embora eu não admitisse para não parecer clichê, pois sou palmeirense. Era a camisa de um herói da liga da justiça que eu amava, mas não gostava de admitir, pois era um negão apaixonado por uma mulher extremamente forte que voava, e eu me disfarçava com a tolice do super poder no dinheiro do Batman. Ela usava uma jaqueta verde. Meu Deus! Eu nunca havia visto aquilo na vida! Ela era negra. Quais as chances de um clichê de princesinha Disney ambulante como eu se interessar por alguém assim? Pois é, foi avassalador! Ela sorriu pra mim e fez piada com o a minha camisa do meu Super Virjão preferido, o Capitão América. Que sorriso enorme, que simpatia, que beleza! Mas a verdade é que eu estava preso a clichês, portanto encontrei uma que se assemelhasse mais ao padrão para que pudesse arrastar a asa. A Lanterna Verde me serviria como uma ponte até a princesinha da Disney. Pouco a pouco fui percebendo que o meu padrão de realeza era outro. A verdade é que não me inte...

Jabuticaba com Manga

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Uma tarde de sábado, domingo, segunda... nem sei! Os dias estão muito parecidos, quase iguais! Mas nesse dia específico o clima estava diferente, era o mesmo Sol, o mesmo céu azul da vida cotidiana, embora estivéssemos em meio às chuvas setembrinas de Brasília. As torrentes celestiais nos deram repouso e a brisa soprava suavemente pelo quintal balançando a jabuticabeira – apelidada carinhosamente como “filhotinha” pela mulher da casa. Sua dança movida pelo vento sempre me chamou a atenção, como um sedutor balé de Ana Botafogo, hipnotizado, e assistia àquela dança involuntária e suave. Quando desvio o olhar, sinto a brisa percorrer-me como que a me chamar para a dança. Não havia vento. Apenas a inquietude de mover-me de onde estava. A “brisa sem vento” me agitou o espírito. Lembrei-me do velho tupinambá de grisalha cabeça e pernas tortas como alicate, sua imagem era insistente como a vontade de fixar os olhos na Filhotinha que adornara o quintal tão adoravelmente. Dias antes, tive...

Mais velho do que andar para frente

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A esteira da vida não para, ela continua seguindo o seu caminho. Traz sim  os seus problemas, angústias, dissabores, um mindinho batendo na quina, uma cortada de dedo quando está descascando uma laranja... mas também não deixa de nos presentear com coisas boas, a satisfação de estarmos com quem amamos ou a doce lembrança dos que chegaram ao fim da esteira, um sorvete debaixo do astro-rei de 40 graus, ver o seu time campeão, nadar no rio, etc. A lista é imensa! E olha que não é papo de coach, hein? Alguém já deve ter te dado as velhas instruções como: “ lave as mãos antes de comer ”, “ escove os dentes após as refeições ”, “ não pegue dinheiro com agiota ”, ou a clássica da minha avó: “ cuidado com essa mochila nessas paradas de ônibus ”, com certeza isso foi um mantra que repetiram para você e hoje você repete para alguém. Que tal aquela: “ valorize as pequenas coisas ”? “Ora ora... lá vem o discurso de óbvio!” – você pode pensar, não discordo. Mas assim como muitas v...

O Fundo Falso

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I nfelizmente nossa sensação de insuficiência em atender a todas as demandas nos leva, em alguns casos, a abafarmos quem realmente somos em um porão cada vez mais profundo, para mostrarmos aquilo que gostaríamos de ser, embora não tenhamos estrutura para isso, portanto, não é quem somos , mas quem estamos e sem nenhum constrangimento, cria-se uma personalidade artificial, a figura bela que expomos ao mundo, o filtro de Instagram da vida, o Photoshop das emoções. Aquelas capas de falsidade que vão se recobrindo: quando se esgota o efeito de uma, surge outra, um ciclo vicioso. O falso sorriso, as concessões, as anulações de personalidade que demonstram a natureza transitória da nossa personalidade – inclusive, falo tudo em primeira pessoa pelo fato de me incluir neste fenômeno. É uma guerra interna, se levarmos em consideração o quão é satisfatório agradarmos a alguém, na intenção de contribuir para algo, mesmo que usando a magia de uma das capas de falsidade que nos revestem, po...

Os jovens da caverna e o mergulho para a eternidade

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Fico pensando, o que seria mais improvável do que ver um monte de pivetes, guiados por um espírito de cavalo selvagem de um jovem adulto, em uma excursão no interior de uma perigosa caverna no norte da Tailândia, se darem bem em sua empreitada? Pra quem lê as notícias a respeito, vê a geografia do lugar, se informa na climatologia sobre as possibilidades de chuva na região, verifica como aquele lugar alaga rapidamente, só tem uma coisa a dizer: “-Vai dar ruim!”. É certo que a comoção em volta do seu resgate, mobilizou almas com uma chama fraterna e igual senso de desafiar limites e abalou o equilíbrio proveniente da região tão pacata e cercada por natureza esbelta e imponente. Mudou o ânimo de um país, voltou os olhos do mundo para um grupo de corações desbravadores e inconsequentes. Fizeram os seus pais quase morrerem de preocupação, mobilizaram numerosos profissionais para o resgate, fizeram com que gastassem recursos por conta da insensatez de suas ações. Que inveja! Atrav...

"Consciência"

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Por que é tão difícil começar um texto? Meu Deus! É como a sensação que tive ao pular de um penhasco para cair na lagoa lá em Rubiataba-GO: momento de paralisia, a ponto de conseguir observar um maribondo perfurando a minha perna em câmera lenta, e alguém gritando "Pula! Pula! É maribondo!" Seguido da sensação de coração parando e queda livre. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Começar foi difícil, porém atingi o apogeu de emoções antes sentidas somente em loucos sonhos de quedas livres e voos pela cidade. Dessa vez era real! Pude sentir o quanto viver faz bem. O que eu não contava, era o que viria depois, eu nadava muito mal, e sabia que a lagoa era tão profunda que não sentiria o fundo, mesmo após uma queda tão alta, mas tinha que fazer aquilo. Foram alguns segundos de desespero até conseguir respirar e pensar no que fazer, ao subir na direção vertical, fiquei parado e tentando calcular se me movia para a margem da esquerda ou para a da direita - quem já ...

Roda mundo, roda gigante.

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Olha eu de novo no Blog. Fazendo a experiência pelo celular.... A ideia é legal a partir do momento em que tenho certeza de que ninguém lê, enfim. Citando a velha e conhecida frase: "O mundo dá voltas" posso admirar essas voltas diante dos meus olhos observando a ação do tempo. Estou feliz demais! Estar com uma pessoa que desperta a poesia em mim todos os dias, me impulsiona a crescer, me aceita como sou (um zueiro) e tem a loucura tão parecida com a minha é um presente de Deus! Sem criticar quem fez merda com o meu coração (depois de tudo eu até agradeceria), mas hoje REALMENTE eu percebo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Eu quero estar com a minha negra pra sempre! Pois descobri o que é ser feliz ao lado de alguém.