Para o Rafael de amanhã
É um sono profundo esse. Que estranho. Não consigo acordar completamente. Aquela eterna preguiça de domingo de manhã, com os olhos quentes, o balanço entre o real e o sonho, o consciente e o inconsciente. Tô acostumando. O vazio do ambiente, sem som, sem cor, sem riso. O “novo normal” deve ser isso. Tudo bem. Eu aceito o que a vida tem para mim. Engraçado como sempre tratei com bom humor todas as desgraças que me ocorreram na vida (e não que eu seja mais ou menos sofredor que ninguém, todos atravessam seus obstáculos), mas eu vejo que esse bom humor me deixou. O meu semblante pesa no espelho, parece que estou olhando para o Mike Tyson balançando os punhos em minha direção. O que eu faço?? Uai, sorri! Vai morrer mesmo! Os óculos me dão um charme. É uma barreira para os mais atentos notarem o que tem atrás. Acho curioso esse temperamento que herdei de família... sorrir da própria desgraça, mesmo sem realmente ver nada de engraçado, é como uma “autoajuda” do subconsciente dizendo que tudo...