As Duas Luas

Há uma passagem bíblica que eu gosto muito: "Quando o Senhor restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então entre as nações se dizia: grandes coisas o Senhor tem feito por eles" (Salmos 126:1-2). É curiosa a forma como o salmista descreve o sentimento do povo de Deus. Quem nunca esteve diante de algo tão feliz, tão pleno, que precisou de um tempo para se recompor de tamanho êxtase? É surreal! Eu me lembro de algumas situações específicas em que parecia que o meu coração saltaria do peito! E olha que eu sou o cara que mantém o pé no chão, por ser pessimista, posturado e, infelizmente, depressivo e um pouco incrédulo. Controverso, não? Falar sobre uma passagem bíblica que gosta e sobre ser incrédulo no mesmo parágrafo? Bem, sobre os meus defeitos, os combato, mas alguns ainda persistem.

Ao descer do ônibus hoje, próximo a chegar ao meu destino, algo me chamou a atenção: a Lua. Tão cheia e tão luminosa que clareava as nuvens que a cobriam. Imediatamente me lembro que a mesma Lua iluminou uma noite maravilhosa, a qual registrei com foto pelo meu potente Motorola Moto G da perspectiva de João Pessoa-PB. Parecia aquela Lua que o Jim Carrey puxou com uma corda em O Todo Poderoso. Linda! Na foto registrada, a luz dos postes do calçadão projetava a minha sombra e a minha metade na areia. Simples, mas lindo! Como muitas coisas que Deus faz.

Mas a perspectiva que tive da Lua por aqui foi antagônica. Parei no meio da calçada, olhei para o céu, olhei ao redor. Olhei o movimento da praça e segui. "Como quem sonha". Incrédulo. Não acreditando que o que via e percebia ao meu redor fosse real. Estou dentro de um cubo de vidro e sendo observado, como no Show de Truman. Estive como quem sonha um sonho bom na Paraíba e aqui como quem vive o pior dos pesadelos. Sabe, observar a Lua me lembra você desde que a conheço. Quantas vezes não te mandei mensagem falando para você olhar para o céu em noites de lua cheia? Lembrava da minha metade, que acabou por se tornar um comigo. Lembrava de orar e pedir para que Deus a guardasse. Lembrava de agradecer a Deus por poder chegar em casa e ver você. Quando a guerra interna estava tão pesada, o seu abraço era tudo o que eu queria no final de cada dia. 

Hoje olhei a Lua de novo "como quem sonha". O choro não era mais de alegria, mas daquela dor que já faz meu corpo perecer. Esse negócio de "uma só carne" é doído mesmo. Acostumei com a dor, uma hora ela vai passar. Mas, sobre o versículo que abre este singelo escrito, o Senhor há de restaurar a sorte de Sião. Seria um tanto materialista dizer que a restauração seria do nosso casamento, o qual ainda questiono se era para tanto, mas sei que Deus há de restaurar a sorte no porvir. Quanto a isso, não haverão os "Moralistas" do livro O Peregrino para ludibriarem o Cristão e apresentarem atalhos duvidosos para retirarem o fardo das costas. Não haverão hienas para rondarem nossa refeição enquanto a desejam para si. Então, ficaremos "como quem sonha".

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