Mais velho do que andar para frente


A esteira da vida não para, ela continua seguindo o seu caminho. Traz sim  os seus problemas, angústias, dissabores, um mindinho batendo na quina, uma cortada de dedo quando está descascando uma laranja... mas também não deixa de nos presentear com coisas boas, a satisfação de estarmos com quem amamos ou a doce lembrança dos que chegaram ao fim da esteira, um sorvete debaixo do astro-rei de 40 graus, ver o seu time campeão, nadar no rio, etc. A lista é imensa! E olha que não é papo de coach, hein?


Alguém já deve ter te dado as velhas instruções como: “lave as mãos antes de comer”, “escove os dentes após as refeições”, “não pegue dinheiro com agiota”, ou a clássica da minha avó: “cuidado com essa mochila nessas paradas de ônibus”, com certeza isso foi um mantra que repetiram para você e hoje você repete para alguém. Que tal aquela: “valorize as pequenas coisas”?

“Ora ora... lá vem o discurso de óbvio!” – você pode pensar, não discordo. Mas assim como muitas vezes você chegou da rua e já foi pegando o pão de queijo com a mesma mão que pegou em dinheiro sem ver uma gota de sabão e depois foi dormir sem escovar os dentes por preguiça, acredito que também não deva ter achado o máximo que, no meio de uma pandemia mundial, você está vivo e está bem, mas se enfureceu por algum motivo qualquer e falou um monte de coisa que não vai lembrar nem do que falou, nem da coisa em si.

Vou te contar uma história, quem me conhece, sabe que eu sou apaixonado por futebol, e sou apaixonado pelo Palmeiras, meu time de coração. No passado (bem) recente, o Palmeiras foi elevado a um nível que há muito tempo não atingia: Campeão Brasileiro e da Copa do Brasil e o time a ser batido dentro das fronteiras do Brasil. O momento passou, e hoje o clube corre atrás da máquina que é o Flamengo, definitivamente o melhor time do Brasil na atualidade. Acontece que eu como torcedor jamais me empolguei, não me permiti aproveitar o momento de glória do meu time, pensando justamente no amanhã, consciente de que tudo aquilo era passageiro e que em breve apareceria um time que o desbancaria, pois as coisas no futebol realmente são sazonais e muito passageiras. Vendo hoje o que meus amigos e familiares flamenguistas apreciam, percebo o seguinte: Eu deixei aquele momento de alegria passar. Definitivamente, eu não vivi aquilo, deixei passar como quando estava esperando a minha mala na esteira do aeroporto pensando na raiva que passaria daqui a pouco pagando 50 reais em meia dúzia de pães de queijo e dois cafés.

A questão não é só o futebol, replicando isso na vida pense nas vezes em que você poderia ter dito para alguém que gosta e admira o quanto estava feliz em apreciar aquele momento e o quanto aquela amizade te fazia bem, mas pensou “melhor não, bobagem”, calou-se. Só que em um momento de discussão acalorada disse coisas cruéis sem se preocupar se ofenderia porque você é assim mesmo, você fala mesmo, contigo é assim, você é sincero, você suporta o quanto for, mas quando se zanga... SAI DE BAIXO!

Quer saber? Aprecie o fato de ter quem você ama perto de você, isso não é para todos e nem para sempre.

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