Os jovens da caverna e o mergulho para a eternidade
Fico
pensando, o que seria mais improvável do que ver um monte de pivetes, guiados
por um espírito de cavalo selvagem de um jovem adulto, em uma excursão no
interior de uma perigosa caverna no norte da Tailândia, se darem bem em sua
empreitada? Pra quem lê as notícias a respeito, vê a geografia do lugar, se
informa na climatologia sobre as possibilidades de chuva na região, verifica
como aquele lugar alaga rapidamente, só tem uma coisa a dizer: “-Vai dar ruim!”.
É
certo que a comoção em volta do seu resgate, mobilizou almas com uma chama
fraterna e igual senso de desafiar limites e abalou o equilíbrio proveniente da
região tão pacata e cercada por natureza esbelta e imponente. Mudou o ânimo de
um país, voltou os olhos do mundo para um grupo de corações desbravadores e inconsequentes.
Fizeram os seus pais quase morrerem de preocupação, mobilizaram numerosos
profissionais para o resgate, fizeram com que gastassem recursos por conta da insensatez
de suas ações. Que inveja!
Através
de um passo no escuro tão desprovido de cálculos e com planejamento desastroso,
viveram uma baita de uma história pra contar - digo do ponto de vista dos meninos
e de seu treinador - privados de liberdade no que serviu como uma espécie de “casulo”
para os seus egos, um recomeço para quem tanto buscou uma nova e inesquecível
experiência. Poderia ter sido evitado? Claro que sim! Mas quem pode prever
quando vem o assalto? Ou a calçada desnivelada que te faz tropeçar de forma
vexatória? Ninguém pode prever. Pode sim fazer um levantamento das possibilidades,
prós e contras, averiguar de forma superficial aquilo que tem relação com o que
pretendem atingir, e eles fizeram, mas como todo bom ser humano, eles erraram,
ficaram presos sem saber nadar em um local que nem mesmo um Cesar Cielo ou um
Phelps poderiam sair.
Eis
que surge o herói: Saman Kunan, o desbravador. Seu altruísmo e sua bravura
serão imortais! Seu nome ecoará na memória e no sentimento através de gerações.
Sempre fui fã de super-heróis, me fascina quando seu indomável otimismo de se
jogar contra o “ninguém nunca fez isso”, ou “não vai dar certo”, ou o cômico “quem
poderá nos defender?”, eclode de uma crosta espessa de pessimismo e
negatividade. Eles colocam tudo em risco para salvarem quem eles sequer
conhecem. Mas o prefixo “super”, não se encaixa na realidade, pois ele não pode
ser atribuído a um ser mortal sem que haja uma fatal consequência – novamente
essa questão de “dar a vida pelo seu amigo” que Jesus Cristo cita em João
15:13, ou o conceito de “bela morte”, que os espartanos entendiam como a glória
em dar a sua vida pelos seus compatriotas na linha de frente de batalha, ambos
pontos de vista que fazem bater os joelhos de qualquer covarde – e o (apenas) herói,
sucumbiu à adversidade a ele imposta. Não existe forma mais nobre de morrer, do
que dando a sua vida por seus compatriotas, a ocasião fez o herói, tempos
difíceis fazem grandes homens, de grande caráter.
Jovens
da caverna, não sabem o quão importante foi o passo errado que deram. Através
disso, ergueram um homem simples ao status de herói, e os mergulhadores
sobreviventes ao Olimpo dos destemidos e anônimos adeptos do “fiz apenas a
minha obrigação”, trajados de grande nobreza de alma e espírito. Além de todos
os voluntários que deixaram suas atividades meramente humanas e mecânicas do dia-a-dia
para subirem ao local de glória. Todo cristão que se preze, sabe que a salvação
não vem pelas obras para que ninguém se glorie dela, mas também sabe que a fé
sem obras é morta. Que saiam da caverna com uma nova compreensão, percebendo
que as sombras projetadas em sua parede não são tão assustadoras como estar
preso entre elas. Vão, e vençam este mundo!
Ficou show mano, parabéns!!!
ResponderExcluirValeu mano!
ResponderExcluirShow de bola!!!
ResponderExcluirObrigado! Caso tenha interesse, pode se inscrever pra receber sompre que surgir texto novo. Valeu!
ExcluirEsse Rafael...
ResponderExcluir