"Consciência"
Por que é tão difícil começar um texto? Meu Deus! É como a sensação que tive ao pular de um penhasco para cair na lagoa lá em Rubiataba-GO: momento de paralisia, a ponto de conseguir observar um maribondo perfurando a minha perna em câmera lenta, e alguém gritando "Pula! Pula! É maribondo!" Seguido da sensação de coração parando e queda livre. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Começar foi difícil, porém atingi o apogeu de emoções antes sentidas somente em loucos sonhos de quedas livres e voos pela cidade. Dessa vez era real! Pude sentir o quanto viver faz bem.
O que eu não contava, era o que viria depois, eu nadava muito mal, e sabia que a lagoa era tão profunda que não sentiria o fundo, mesmo após uma queda tão alta, mas tinha que fazer aquilo. Foram alguns segundos de desespero até conseguir respirar e pensar no que fazer, ao subir na direção vertical, fiquei parado e tentando calcular se me movia para a margem da esquerda ou para a da direita - quem já pulou de grandes alturas em rios, lagos, lagoas, e afins, sabe que se deve cair na água projetando o corpo para retornar a superfície já nadando para a borda - até que nadei para a borda esquerda, vendo os olhos esbugalhados de todos que estavam comigo, torcendo para que eu não morresse. Foi um sufoco, e por um breve momento achei mesmo que pudesse não dar conta de emergir.
Retomando o assunto inicial, comparo o ato de escrever a este acontecimento. Eu estava cheio de sentimentos e inquietudes, precisava colocar para fora e expressar aquilo, e era algo urgente, para agora! Mas algo me parou. O medo, a insegurança, outros sentimentos de aprisionamento emocional? Todas as alternativas anteriores? Com certeza algo me segurou ali na superfície e me impediu de me jogar naquela realização pessoal. Precisei de uma ferroada e um grito desesperado para poder saltar. Eu sei quem foi o rapaz que gritou ali, mas absorvo a sua voz e decido chamá-la de "consciência". Decido recorrer ao papo de eu interior e blá blá... decido absorver como algo intrínseco. Meu subconsciente clamava por sair daquela jaula de medo, que louco! Bradava por uma fagulha de vida, sair da caixa de sempre. Eu temi quando percebi que já havia saído da caixa. Algo sem precedentes estava acontecendo ali, aquilo era o que chamavam de "viver a vida". Era como um novo nascimento, assemelhando-se à dor das primeiras contrações pulmonares de um recém-nascido.
Falando sobre a consciência, e o porquê de anexá-la a algo intimo que esbravejava de meu interior, levo como um grito de liberdade que precisei para "destravar", assim como necessito tantas vezes para iniciar algo que escrevo. São sentimentos que se acumulam, experiências de grande significado, que acabam inflando e implodindo em minha cabeça sem que possam desafiar a complexidade do processo de expressar, incomodando e chacoalhando a minha carcaça mórbida e acomodada à sua paralisia constante. "Mova-se!" - grita a consciência; funcionando como uma força motriz que não quer parar, que não sabe parar, precisa daquilo para se fazer útil. Viver, é a única opção. Escrever, mesmo que seja horrível.
Não pare de escrever meu amigo. Seus textos sãos muitos inspiradores e esta ajudando muito a nossa alma. Belos textos, parabéns!
ResponderExcluirFico feliz, Patrícia. Muito obrigado!
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